Tratamento na enxaqueca

A enxaqueca não tem cura, mas pode e deve ser controlada!

A abordagem terapêutica na enxaqueca deve ter por base uma estratégia de tratamento integrado com o objetivo de aliviar a dor, melhorar a funcionalidade dos doentes, reduzir a frequência das crises e prevenir/limitar a progressão da doença.

O tratamento da enxaqueca divide-se:

  • Tratamento agudo – também chamado de tratamento abortivo ou tratamento de SOS, é o tratamento feito quando o doente está com uma crise de enxaqueca, com o objetivo de aliviar/terminar essa crise
  • Tratamento preventivo – também conhecido como tratamento profilático, é o tratamento feito de forma regular com o objetivo de prevenir o aparecimento de crises de enxaqueca, reduzindo a frequência e/ou intensidade das crises de enxaqueca em doentes que têm crises frequentemente.

TRATAMENTO AGUDO

O tratamento agudo, também chamado de tratamento abortivo ou tratamento de SOS, é o tratamento feito quando o doente está com uma crise de enxaqueca, com o objetivo de aliviar/terminar essa crise. Este tratamento deve ser feito o mais cedo possível, aos primeiros sintomas, para evitar que a crise evolua e agrave. As crises de enxaqueca podem ser tratadas com tratamento não farmacológico (sem recorrer a medicamentos), com tratamento farmacológico (medicamentos) ou ambos, dependendo da sua intensidade e frequência.

Tratamento Não Farmacológico

O tratamento não farmacológico consiste nas várias medidas que o doente pode realizar com o objetivo de aliviar e atenuar a evolução da crise de enxaqueca. As medidas não farmacológicas mais comuns são:

  • Sono: Descansar e dormir um pouco em ambiente sossegado e de preferência escuro parece é essencial para ajudar a controlar ou reduzir a evolução da crise de enxaqueca. Assim, aos primeiros sintomas da crise de enxaqueca ou logo após a utilização de medicação de tratamento agudo, pode ser benéfico dormir uma ou duas horas. O doente poderá optar por dormir mais tempo caso sinta que isso o ajuda a controlar a crise, mas o excesso de horas de sono poderá também agravar a crise.Nas crianças, dormir durante alguns minutos ou horas pode mesmo ser suficiente para resolver uma crise. Em alguns casos a criança poderá necessitar de dormir mais tempo ou poderá necessitar de tomar medicação.
  • Aplicação de frio na cabeça: Colocar compressas frias, gelo (com cuidado para evitar queimaduras pelo frio) ou bandas de frio na cabeça, na região frontal e das têmporas, promove uma sensação de alívio durante as crises de enxaqueca.
  • Massagem e banho de água quente: O relaxamento muscular promovido pela massagem nos ombros, pescoço e têmporas, ou por um banho de água quente, permitem reduzir a tensão muscular e poderão ser benéficos durante a crise de enxaqueca.
  • Evitar fatores que agravem a crise: Durante as crises devem ser evitados fatores que agravem a crise como luzes, cheiros e sons fortes. Os esforços físicos e movimentos acentuados devem também ser evitados para não agravar a crise. Apesar de muitos doentes apresentarem náuseas e/ou vómitos durante as crises ou puderem dormir muitas horas durante a crise, é importante evitar a esidratação, bebendo bastante água, e evitar períodos prolongados sem comer, para evitar a redução dos níveis de açúcar no sangue. Para as náuseas e vómitos, além da medicação aconselhada pelo médico, poderá também consumir chá/infusão de gengibre (caso não tenha nenhuma contra-indicação ou intolerância a este alimento)A exposição prolongada a monitores de televisão ou de computadores pode também causar o agravamento das crises.Opte por reduzir esta exposição sempre que possível, reduzir a luminosidade dos ecrãs e/ou coloca-los em modo noite para reduzir a luz azul.
  • Exercícios de relaxamento e meditação: Para reduzir a ansiedade gerada pelas crises de enxaqueca, conseguir lidar melhor com a dor e conseguir adormecer, poderá optar por realizar alguns exercícios de relaxamento ou meditação.

Tratamentos Farmacológicos Agudos

A medicação aguda para a enxaqueca tem como objetivo aliviar a dor e parar a evolução da crise de enxaqueca.

O tratamento agudo deve ser tomado o mais cedo possível, na fase da dor de cabeça, para prevenir a progressão da crise e aumentar a eficácia do fármaco. No entanto, em pessoas com crises muito frequentes (mais do que duas vezes por semana) é necessário ter cuidado com o uso excessivo de medicação. Ao tomar muito frequentemente a medicação aguda (mais do que uma – duas vezes por semana) isso poderá desencadear cefaleia por uso excessivo de medicação, aumentando a frequência das crises. Assim, nestes casos deve ser evitada a utilização de medicação aguda, dando preferência às medidas não farmacológicas e consultar um médico assim que possível.

A escolha do tratamento agudodepende não só do tipo e intensidade da enxaqueca, mas também dos sintomas e doenças associadas. Somente o seu médico tem critérios específicos para recomendar um tratamento farmacológico em detrimento de outro… Os tratamentos agudos
mais utilizados são:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): indicados para tratar crises leves ou moderadas de enxaqueca. Alguns exemplos incluem: paracetamol, aspirina, ibuprofeno, diclofenac, etc. São mais eficazes se tomados no início da fase da dor de cabeça. Embora geralmente bem tolerados, a sua utilização frequente pode levar ao desenvolvimento da cefaleia por uso excessivo de medicação,
    que é uma forma de cefaleia muito difícil de tratar.
  • Triptanos: utilizados principalmente para tratar crises de enxaqueca moderadas a fortes, ou para quem tem crises leves e não tolera ou não responde a anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Em doentes com enxaqueca com crises moderadas a graves, os estudos têm demonstrado consistentemente que os triptanos são a classe de fármacos agudos mais eficazes e utilizada, especialmente quando os doentes são incapazes de fazer a sua rotina diária devido à enxaqueca. Existem varios triptanos, como por exemplos: Almotriptano, Frovatriptano, Sumatriptano, Eletriptano, Zolmitriptano, Naratriptano, Rizatriptano, etc.
  • Antieméticos: utilizados principalmente para controlar náuseas e vómitos provocados pela enxaqueca. Alguns exemplos incluem: Domperidona ou metoclopramida e ondasetron.

TRATAMENTO PREVENTIVO

O tratamento preventivo, também conhecido como tratamento profilático, é o tratamento feito de forma regular com o objetivo de prevenir o aparecimento de crises de enxaqueca, reduzindo a frequência e/ou intensidade das crises de enxaqueca em doentes que têm crises frequentemente.

A estratégia de tratamento preventivo integrada assenta em 4 principais pilares: modificação do estilo de vida e autocuidado, intervenções alternativas e complementares, tratamentos farmacológicos.

Caso apresente mais de uma crise de enxaqueca por mês deverá consultar o seu médico, para que este o possa aconselhar acerca do tratamento farmacológico mais adequado para si.

Modificação do estilo de vida e autocuidado
  • Identificação e prevenção
    dos fatores desencadeantes
  • Exercício Físico
  • Hidratação
  • Sono adequado
  • Manutenção da rotina diária
Intervenções alternativas e complementares
  • Relaxamento
  • Biofeedback
  • Terapia cognitivo-comportamental
  • Nutracêuticos
  • Terapias Manuais
  • Acupuntura
Tratamentos Farmacológicos
  • Tratamento Preventivo

Intervenções alternativas e complementares

Entre as várias intervenções alternativas e complementares, a Sociedade Portuguesa de Cefaleias refere nas suas recomendações terapêuticas, publicadas em 2009, que têm sido utilizadas as seguintes técnicas:

  1. Técnicas de relaxamento
  2. Técnicas de retrocontrolo biológico (biofeedback)
  3. Acupunctura
  4. Atividade física

É importante ter em conta que as terapêuticas não convencionais são terapias que não se baseiam nos princípios da medicina científica ou ocidental e que têm como objetivo a saúde integral do doente. Nunca devem substituir a consulta de um médico de família ou um neurologista e a utilização da medicação por este indicada! As terapêuticas não convencionais devem ser utilizadas como um complemento em prol do bem estar do doente.

A decisão de adotar uma determinada medida terapêutica deve sempre ser discutida com o seu médico! Apesar de puderem ser benéficas para o doente, muitas das terapêuticas não convencionais carecem de estudos cientificamente robustos que comprovem a sua eficácia e segurança, pelo que é importante que estas não substituam o acompanhamento médico e a medicação prescrita pelo médico.

Técnicas de relaxamento

As pessoas que têm uma prática regular de técnicas de relaxamento reduzem significativamente a sua experiência física de stress e tensão.

A prática regular de técnicas de relaxamento está associada a uma melhoria da saúde e da qualidade de vida. A prática do relaxamento pode ser tão simples como aprender a respirar “relaxadamente” (por exemplo, respiração abdominal) e praticá-la regularmente. O importante é aprender a reduzir a tensão. As técnicas de relaxamento, como a meditação ou o yoga, ajudam aliviar a tensão do dia-a-dia e ajudar a regular as emoções, diminuindo ao longo do tempo o nível de stress, que é uma das principais causas da crise de enxaqueca. A qualidade e quantidade de estudos disponíveis é ainda insuficiente para comprovar a sua eficácia como tratamento da enxaqueca.

Técnicas de retrocontrolo biológico (biofeedback)

Não se sabe ao certo como o biofeedback funciona. Sabe-se que as técnicas de biofeedback promovem o relaxamento, o que pode ajudar a aliviar uma série de condições que estão relacionadas com o stress.

Durante uma sessão de biofeedback, são ligados elétrodos à pele. Esses elétrodos/sensores enviam sinais para um monitor, que exibe um som, um flash de luz ou uma imagem que representa o comportamento do coração, da respiração, da pressão arterial, da temperatura da pele, do suor ou da atividade muscular.

Quando se está sob stress, essas funções sofrem alterações. O ritmo cardíaco acelera, os músculos apertam, a pressão sanguínea sobe, aumenta a sudorese e a respiração acelera. Todas estas respostas ao stress são possíveis de acompanhar num monitor de um computador. O objetivo passa por tentar controlar todas estas respostas.

Assim, a prática de exercícios de biofeedback, pretende controlar diferentes funções corporais. Por exemplo, a utilização de uma determinada técnica de relaxamento pode ser utilizada para “interromper” um determinado circuito cerebral que se ativa quando se tem uma dor de cabeça.

A qualidade e quantidade de estudos disponíveis é ainda insuficiente para comprovar a sua eficácia como tratamento da enxaqueca.

Acupuntura

A acupuntura é uma técnica da medicina tradicional chinesa que envolve a inserção de agulhas finas na pele para estimular e desbloquear pontos energéticos específicos do corpo.

A contribuição da acupuntura para o tratamento da enxaqueca deve-se à liberação local de endorfinas, substâncias produzidas pelo organismo que funcionam como analgésico natural, diminuindo a dor, produzindo relaxamento e bem-estar. A utilização de acupuntura pode reduzir os sintomas da enxaqueca.

Existe evidência científica que demonstra a eficácia desta intervenção (nível de evidência B) evidenciada por alguns estudos controlados, aleatorizados e de dupla ocultação.

Homeopatia

Os tratamentos com homeopatia baseiam-se em características únicas dos doentes, incluindo personalidade e estilo de vida, assim como sintomas e saúde em geral.

A homeopatia tem como objetivo reequilibrar o fluxo de energia do organismo, mas não se baseia em princípios químicos ou fisiológicos.

As substâncias utilizadas são derivadas de substâncias que ocorrem naturalmente, como extratos de plantas e minerais. São utilizadas concentrações extremamente baixas, preparadas de forma muito específica.

Na enxaqueca, os estudos que existem demonstram que a homeopatia tem uma eficácia quase inexistente, semelhante ao placebo (comprimido sem qualquer substância utilizado como comparação nos estudos científicos).

Atividade física

Relativamente à atividade física, existem estudos que sugerem que a atividade física regular pode prevenir as crises de enxaqueca, tanto em frequência como intensidade ou duração. Pelo que é aconselhada a prática de exercício físico regular nos doentes com enxaqueca.

O exercício físico intenso poderá desencadear crises de enxaqueca, pelo que é aconselhado que os doentes iniciem a prática de exercício físico de forma gradual e vão intensificando na medida das suas capacidades.

Tratamentos Farmacológicos Preventivos

A escolha do tratamento depende não só do tipo e intensidade da enxaqueca, mas também dos sintomas e doenças associadas. Somente o seu médico tem critérios específicos para recomendar um tratamento farmacológico em detrimento de outro. A medicação preventiva para a enxaqueca é utilizada com o objetivo de reduzir a frequência e a intensidade das crises. Contudo, estes fármacos não previnem a totalidade das crises nem curam a causa subjacente, mas ajudam a reduzir a sua frequência e intensidade, melhorando assim a qualidade de vida do doente. São normalmente prescritos nas seguintes circunstâncias:

  • Se apresentar mais de duas ou três crises por mês;
  • Se as crises são particularmente graves ou incapacitantes e não respondem bem aos tratamentos agudos;
  • Se as crises seguem um padrão regular (por exemplo, na menstruação);

Os tratamentos preventivos que existiam até ao momento eram administrados diariamente por um período de 6-12 meses e, embora não previnam completamente as crises, a sua taxa de sucesso é de cerca de 50-60%. O tratamento preventivo não tem efeito quando a crise já teve início. Até há bem pouco tempo, por volta de 2018, não existiam medicamentos especificamente desenvolvidos para a profilaxia da enxaqueca. Existiam apenas medicamentos que tinham sido desenvolvidos para outras doenças, mas que demonstraram ter também eficácia na prevenção da enxaqueca, é o caso de alguns medicamentos anti hipertensores, alguns antidepressivos e alguns antiepiléticos. Somente os médicos poderão avaliar cada situação específica para escolher o medicamento mais ajustado a cada doente. Os tratamentos preventivos mais utilizados são:

  • Beta-bloqueadores (metoprolol, propranolol e timolol): são fármacos de primeira linha em doentes não asmáticos, sem diabetes tipo 1, insuficiência cardíaca congestiva ou isquémica periférica. O propranolol e o metoprolol apresentam ensaios clínicos robustos que comprovam a sua eficácia (nível de evidência A).
  • Antidepressivos (amitriptilina e venlafaxina): A amitriptilina é eficaz na prevenção mesmo em doses baixas e independentemente do seu efeito antidepressivo (já demonstrado por vários estudos, nível de evidência A).
  • Anticonvulsivantes (topiramato e valproato): Quer o topiramato como o valproato tem ensaios clínicos realizados que demostram a sua eficácia clínica (nível de evidência A).
  • Antagonistas de cálcio (flunarizina): A flunarizina é eficaz na prevenção, apresentando vários estudos que comprovam a sua eficácia (nível de evidência A).
  • Toxina Botulínica A: apenas utilizada em doentes com enxaqueca crónica. Em casos específicos ou doentes que já tenham falhado estes tratamentos, existem outros medicamentos com eficácia demonstrada na prevenção da enxaqueca que poderão ser considerados pelo médico.

Durante muito tempo não existiu qualquer inovação terapêutica na prevenção da enxaqueca. Atualmente, existem três medicamentos biológicos – anticorpos monoclonais anti-CGRP – que foram já aprovados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA): Erenumab ,Galcanezumab, Fremanezumab. Estes medicamentos inovadores são os primeiros fármacos desenvolvidos especificamente para a enxaqueca. Os anticorpos monoclonais anti-CGRP administram-se mensalmente, na forma de injeção subcutânea, em adultos com pelo menos 4 dias de enxaqueca por mês. Estes fármacos ainda estão a aguardar a decisão de comparticipação pelo infarmed, pelo que ainda não estão disponíveis nos hospitais públicos.

FACTOS E NÚMEROS:

  • O impacto da enxaqueca na vida profissional dos doentes, e consequente impacto económico na sociedade, é muito elevado, especialmente pelo facto de esta patologia afetar maioritariamente pessoas em idade produtiva e gerar uma enorme perda de horas de trabalho e reduzindo a produtividade. No entanto, a maioria dos doentes faz um esforço adicional para compensar as horas de trabalho perdidas em detrimento do seu tempo pessoal e familiar.
  • O sofrimento causado pela enxaqueca é individual, acarretando custos intangíveis e um impacto significativo, mesmo quando os doentes não estão em crise. Quando não corretamente tratada, a enxaqueca provoca uma redução da qualidade de vida, por medo e antecipação da próxima crise, o que condiciona o doente a evitar participar em atividades laborais, familiares ou sociais, dificuldade em assumir compromissos com consequências emocionais e afetivas.
  • Segundo um estudo realizado em Portugal, cerca de 80% dos doentes com enxaqueca já terá faltado a eventos familiares ou sociais, devido a uma crise de enxaqueca. Mais de 60% dos doentes avaliados neste estudo refere que alterou a sua relação com familiares, amigos e companheiro/a devido à sua doença.
  • A nível global, a enxaqueca é a segunda maior causa de anos vividos com incapacidade em todas as regiões, ambos os géneros e todas as idades, sendo a principal causa de incapacidade por doença neurológica.
  • Cerca de 25% dos doentes com enxaqueca tem depressão e cerca de 50% sofre de ansiedade.
  • A enxaqueca é uma doença neurológica crónica e altamente incapacitante.
  • Cerca de 50% dos doentes necessita de faltar ao trabalho em média 4 dias por mês.
  • A enxaqueca é a doença neurológica mais comum no mundo, afetando cerca de 12 a 15% da população mundial.
  • É mais comum entre os 25 – 55 anos, mas pode afetar todas as fases da vida, incluindo a infância.
  • A enxaqueca é cerca de 3 vezes mais prevalente nas mulheres do que nos homens.

Em Portugal, cerca de 1 em cada 7 pessoas sofrem de enxaqueca, sendo mais frequente do que doenças como a asma ou a diabetes.

As pessoas com enxaqueca perdem em média 5% do seu tempo de vida para a doença.

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